
Foto: Alan Santos/PR/Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) faziam parte do grupo mais inclinado a apoiar um golpe entre os conselheiros do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação consta na delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, conforme revelou a coluna do jornalista Elio Gaspari, do jornal O Globo.
Segundo Cid, essa ala radical também incluía:
Em depoimento à Polícia Federal, Cid afirmou que Bolsonaro recebia conselhos de três grupos distintos: um mais extremista — do qual Michelle e Eduardo faziam parte —, outro formado por políticos conservadores e um terceiro, classificado como "moderado". O grupo "moderado", segundo Cid, era composto por generais da ativa que se opunham à tentativa de golpe. Entre eles estavam:
Ainda segundo a delação, esse grupo temia que Bolsonaro cedesse à pressão da ala mais radical e assinasse "uma doideira". O acordo de colaboração premiada de Cid foi firmado com a Polícia Federal e homologado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 9 de setembro.
No depoimento, o ex-ajudante de ordens apontou Bolsonaro como mandante dos crimes sob investigação nesta frente de apuração, incluindo peculato (desvio de bens públicos) e lavagem de dinheiro. O primeiro relato da delação premiada de Mauro Cid citou nove das 40 pessoas que posteriormente foram indiciadas pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento na tentativa de golpe de Estado após a vitória de Lula (PT).
De acordo com a íntegra do documento de agosto de 2023, obtida pelo colunista Elio Gaspari, Cid mencionou 20 nomes ligados à articulação golpista, embora nem todos tenham sido indiciados mais de um ano depois pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.