Um fundo de investimento gerido por empresa citada no caso Master realizou um aporte de R$ 4,3 milhões para comprar ações do Tayayá Resort, empreendimento imobiliário no Paraná ligado a parentes do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal). O magistrado Toffoli é relator do inquérito do processo que corre em sigilo.
A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pela CNN Brasil.
Dados da Receita Federal apontam que o resort já teve no quadro de sócios a Maridt Participações S.A, que pertence a Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos de Toffoli.
O investimento para a compra de uma parte do Tayayá Resort foi realizado pela Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, segundo registros da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de outubro de 2025.
A Arleen é administrada pela Reag, citada na operação Carbono Oculto por suspeita de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC, e que teria investido R$ 16,3 milhões na DGEP Empreendimentos, que também já teve no quadro societário Mario Umberto Degani, primo de Toffoli.
A DGEP Empreendimentos, inclusive, apresenta o e-mail do Tayayá para contato e está registrada no mesmo endereço do resort, com CEP 86.410-000, conforme o site da Receita Federal.
Procurada, a Reag disse que não vai comentar o caso. A CNN também entrou em contato com o gabinete do ministro Dias Toffoli, com o Tayayá Resort, com a DGEP e com os demais citados na reportagem. Ainda não houve retorno.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master, nega qualquer envolvimento com fraudes, fundos ilícitos ou operações. Afirma que o banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos fundos citados e diz confiar que o avanço das investigações restabelecerá a verdade dos fatos.
Fundos sob suspeita
Segundo o relatório encaminhado pelo Banco Central ao TCU, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master e fundos administrados pela Reag estruturaram operações em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional, com falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez.
Essas operações fazem parte de um conjunto de transações estruturadas que somam R$ 11,5 bilhões, incluindo fundos ligados à Reag.
O Banco Central aponta ausência de garantias, falta de diversificação dos ativos e inadequado gerenciamento de capital. O relatório também registra a suspeita de que os fundos tenham sido utilizados para pulverizar recursos em nome de terceiros.