A leitura de que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve ir até o fim na disputa presidencial de 2026 ganhou força, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (14). Para 54% dos entrevistados, o movimento do filho do ex-presidente é um projeto efetivo, enquanto 34% ainda o veem como estratégia de barganha política.
Para o vice-líder da oposição na Câmara, deputado Capitão Alden (PL-BA), os números indicam mais do que a consolidação de Flávio Bolsonaro no campo da direita. Em entrevista à Jovem Pan, Alden afirmou que os dados revelam, sobretudo, fragilidade do governo Lula e um cenário eleitoral marcado pelo medo induzido no eleitorado.
“Essa pesquisa não mostra força do Lula, como a esquerda tenta vender. Mostra o teto do governo. Depois de mais de dois anos de mandato, com máquina pública, apoio institucional e propaganda bilionária, o presidente aparece com pouco mais de 30%. Isso não é vantagem, é limite”, disse o parlamentar.
Alden destacou que a avaliação negativa do governo federal já supera a positiva, com a soma de “ruim” e “péssimo” acima de 40%, contra cerca de 35% de “ótimo” e “bom”. Para ele, ignorar esses dados amplia o distanciamento entre o Planalto e a percepção das ruas.
Na análise do deputado, o principal entrave do campo conservador não é falta de votos, mas o medo que ainda permeia parte do eleitorado. “Quase metade do país diz ter medo da volta dos Bolsonaro, mas praticamente a mesma parcela tem medo de continuar com Lula. O Brasil não escolheu um lado, está preso entre dois medos artificiais”, afirmou.
Segundo Alden, o desempenho de Flávio Bolsonaro nas simulações eleitorais reforça a resiliência do bolsonarismo. “Se o bolsonarismo fosse rejeitado, Flávio não estaria em segundo lugar de forma recorrente. Ele está lá apesar da imprensa, do STF e da criminalização da política”, disse.
Apesar da defesa do senador, o deputado fez um alerta à direita e ao próprio Flávio Bolsonaro. Para ele, a estratégia eleitoral não pode se restringir à base mais fiel. “Se a direita continuar falando só para convertidos, vai perder. O eleitor quer projetos, segurança, ordem e limites ao poder de Brasília. Não basta revolta nas redes sociais”, afirmou.
Alden avaliou que parte da rejeição ao nome Flávio Bolsonaro ainda está associada ao desgaste do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por isso, defende uma campanha com identidade própria. “É preciso apresentar o Flávio, suas qualidades e resultados. A rejeição não é pessoal, é reflexo do sobrenome”, disse.
Na visão do parlamentar, o sucesso eleitoral dependerá da capacidade de ampliar o discurso para além da chamada “bolha” da direita. “O maior desafio será falar com quem não é nem direita nem esquerda. Se Flávio adotar uma linha mais técnica, sem abrir mão de valores, e se comunicar com o povo real, ele pode captar esse eleitorado”, concluiu.