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Romeu Zema (Novo) formalizou neste domingo, 22, a renúncia ao governo de Minas Gerais e transferiu o comando do estado ao vice, Mateus Simões (PSD), que assume o cargo em um momento de rearranjo da direita mineira e de incerteza sobre a composição das chapas para a eleição de 2026.
A saída de Zema ocorre a menos de duas semanas do prazo de desincompatibilização previsto em lei para quem pretende disputar a Presidência da República. O ex-governador tem repetido que será candidato ao planauto
A transmissão de cargo ocorreu em duas cerimônias: uma na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde Simões prestou juramento e assinou o termo de posse, e outra no Palácio da Liberdade, com a entrega do Colar da Inconfidência.
No discurso, o novo governador disse assumir o posto com experiência sobre a “complexa realidade institucional” do estado e fez referência ao equilíbrio entre os Poderes.
Simões afirmou que é preciso garantir o exercício das atribuições constitucionais do Executivo sem perder de vista os limites e responsabilidades das demais esferas. Disse ainda que a lógica dos freios e contrapesos deve funcionar com equilíbrio e autonomia, e não com subserviência ou antagonismo.

A fala ocorre um mês depois de um embate com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Em fevereiro, Simões disse que não cumpriria a decisão que suspendia a política educacional voltada à implementação de escolas cívico-militares.
Na ocasião, após a Justiça acolher parecer do Tribunal de Contas do Estado, ele declarou que não aceitaria “interferências” do Judiciário e afirmou que abriria colégios cívico-militares assim que assumisse o exercício do governo.
Na posse, voltou a criticar a atuação de órgãos de controle ao dizer que considera inaceitável a suspensão de obras relevantes e programas essenciais por “estratégia de interferência político-ideológica”. Também afirmou que vai combater “abusos institucionais”, proteger as mulheres e perseguir o crime organizado no estado.
Ao falar sobre a nova etapa no comando do Executivo, Simões disse que passará os próximos três meses percorrendo Minas Gerais. Segundo ele, a partir do dia 26, a capital e a sede administrativa serão transferidas temporariamente para cada uma das regiões do estado. O governador afirmou que pretende dialogar com todos os prefeitos e dar atenção aos grupos que, segundo ele, são ignorados pela burocracia
Em outro momento, declarou que “problemas reais não podem ser resolvidos por planilhas burocráticas, nem por vídeos nas redes sociais”, em fala interpretada como indireta ao senador Cleitinho Azevedo, nome que vem sendo estimulado pelo Republicanos para a disputa ao Palácio Tiradentes. Simões não citou o parlamentar diretamente. Mais tarde, em outro evento, voltou a atacar o governo federal e afirmou que criminosos serão “caçados” e “expulsos” pela polícia mineira.
Zema em pré-campanha
Com a saída do governo, Zema passa a se dedicar à pré-campanha presidencial, anuanciada há sete meses. Em discurso após a renúncia, fez um balanço da gestão e afirmou que “chegou a hora de mudar o Brasil todo”. Também direcionou críticas ao governo federal e reforçou o discurso anticorrupção.
Apesar de seguir afirmando publicamente que disputará a Presidência como cabeça de chapa, Zema convive com especulações sobre uma possível composição com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Nos bastidores, movimentos recentes do ex-governador têm sido lidos por aliados da direita como sinal de abertura para essa possibilidade. O posto de vice segue em aberto e a definição dependerá do desenho final da coalizão que sustentará a candidatura presidencial do senador.