O Ministério Público do Trabalho (MPT) anunciou, nesta quarta-feira (15), que instaurou uma investigação para apurar denúncias de assédio sexual e moral na montadora BYD. A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari. A entidade divulgou ter sido notificada de ocorrências de assédio moral na fábrica da empresa em Camaçari, na Bahia.
Ao CORREIO, o presidente da entidade, Julio Bonfim, contou na última terça-feira (14) que o sindicato acompanha casos de mulheres do setor operacional que têm sofrido assédio.

"Elas têm sido perseguidas tanto por líderes chineses quanto brasileiros. São mais chineses, mas os dois lados têm feito. O assédio moral é muito intenso na fábrica e é um trampolim para o assédio sexual, a partir do momento em que a pessoa se sente à vontade para perseguir um profissional pelo cargo que ocupa".
Pela própria natureza das denúncias, ele diz que tem sido até difícil para o sindicato alcançar mais mulheres que tenham sido eventualmente vítimas de assédio sexual e chegar ao número total de vítimas.
"Tivemos alguns casos em que as trabalhadoras vieram falar. Um deles é de um chinês que assediou três mulheres, passando a mão na genitália. A informação que nos foi passada originalmente é que ele já se mudou para a China, mas ficamos sabendo que ele só foi mudado de área", explica.
De acordo com Bonfim, o sindicato tem pedido providências à empresa. Na última quinta-feira (9), houve uma assembleia com uma paralisação no primeiro turno da fábrica. Ele estima que cerca de 600 carros deixaram de ser produzidos com a paralisação de 2,5 mil trabalhadores.
"A gente protocolou a pauta e estamos iniciando as negociações a partir da próxima semana. A gente quer que a empresa faça um programa interno de relações interpessoais entre as lideranças para fazer um programa de prevenção contra assédio moral e sexual".
Em nota, o MPT destacou, contudo, que o sindicato ainda não formalizou as denúncias ao órgão para que os fatos possam ser apurados. “Com a abertura do procedimento, a entidade será chamada a apresentar as informações sobre a existência de casos de assédio na fábrica da BYD. O MPT apura um caso de suposto assédio moral na empresa, ainda em fase preliminar”, dizem, em nota.
A BYD foi procurada para reportagem e o espaço segue aberto para manifestação.