Camaçarí / BA - 01 de Agosto de 2026
Publicado em 01/08/2026 11h35

"EFEITO LULA": Gasolina muda neste sábado; veja quais carros podem sofrer mais com a nova mistura

A partir de hoje, a gasolina comum passa a ter 32% de etanol. Especialistas explicam quais veículos tendem a sentir mais os efeitos, quais peças podem sofrer desgaste e como reduzir os riscos
Por: Correio da Bahia

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A gasolina comum vendida no Brasil passa a ter, a partir deste sábado (1º), uma nova composição: agora são 32% de etanol anidro na mistura, em vez dos 27% anteriores. A mudança, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), reacendeu dúvidas entre motoristas sobre possíveis impactos no desempenho dos veículos.

Segundo mecânicos e especialistas em manutenção automotiva ouvidos pelo g1, os carros mais antigos são os que tendem a sentir os efeitos de forma mais intensa, principalmente os modelos equipados com carburador e tanque metálico. Já os veículos mais modernos conseguem compensar parte da mudança por meio da central eletrônica, embora também possam apresentar aumento no consumo e perda de autonomia.

"Com mais etanol na mistura, o consumo pode aumentar ligeiramente. Acredito que no máximo 5%", afirma ao g1 Alexandre Dias, mecânico e proprietário das oficinas Guia Norte. A principal explicação está nas diferenças entre gasolina e etanol. O professor e técnico em mecânica automotiva Tenório Júnior explica que motores projetados para funcionar exclusivamente com gasolina trabalham com uma taxa de compressão menor do que a ideal para aproveitar toda a eficiência  do etanol. "A compressão dos carros a gasolina é suficiente para fazer a gasolina entrar em combustão, mas não para queimar o etanol com a mesma eficiência. Isso pode gerar falhas, perda de potência e dificuldade nas partidas a frio", afirma.

 

Os carros antigos são os mais afetados

Os especialistas destacam que boa parte dos problemas pode aparecer em veículos fabricados antes da popularização da injeção eletrônica. O maior motivo de preocupação é o carburador. Segundo Tenório, diferentemente da injeção eletrônica, o carburador não consegue adaptar automaticamente a mistura de ar e combustível conforme a composição da gasolina.

"Os carburadores são 'burros'. Eles não se adaptam ao combustível. A quantidade de ar e combustível é fixa", explica. Além da perda de desempenho, o mecânico Bruno Bandeira afirma que o aumento da concentração de etanol pode acelerar a corrosão da peça. "Esse material não foi feito para suportar etanol. Esse carburador está condenado", afirma.

Outro componente sensível é o tanque de combustível metálico, comum em veículos antigos. Já os tanques de plástico, adotados na maioria dos carros produzidos a partir dos anos 2000, não costumam apresentar esse problema. Quais peças também podem sofrer desgaste? Além do carburador, especialistas alertam para outros componentes que podem ser afetados:

 

  • Bomba de combustível: o etanol absorve mais umidade. Se o veículo permanecer muito tempo parado, a água acumulada pode acelerar a corrosão da bomba e até da boia que mede o nível de combustível.
  • Bicos injetores: nos carros com injeção eletrônica, a central aumenta o tempo de injeção para compensar o menor poder energético da nova gasolina. Se os bicos já estiverem parcialmente sujos, podem surgir falhas de funcionamento e marcha lenta irregular.
  • Velas de ignição: quando já estão desgastadas, podem dificultar a queima correta da nova mistura.
  • Catalisador: combustível queimado de forma incompleta pode reduzir sua vida útil.
  • Mangueiras, retentores e vedações: em veículos antigos, esses componentes podem ressecar mais rapidamente.
  • Há como adaptar o carro?

    Nos veículos equipados com injeção eletrônica, Alexandre Dias explica que a central eletrônica (ECU) pode receber atualizações ou recalibrações para trabalhar melhor 

     com a nova mistura. Além disso, manter a manutenção preventiva em dia ajuda a reduzir o desgaste dos componentes. Nos carros carburados, a adaptação é possível, mas exige um trabalho artesanal.

     

    Segundo Tenório, será necessário substituir e ajustar os chamados giclês — pequenos componentes responsáveis pela passagem de combustível e ar — realizando diversos testes até encontrar a regulagem ideal. "Não existe uma tabela pronta para esse tipo de combustível. É um processo de tentativa e ajuste até encontrar o funcionamento correto", explica.

    Embora especialistas afirmem que os veículos mais modernos devem se adaptar com relativa facilidade à gasolina E32, a recomendação é que os proprietários, principalmente de carros mais antigos, fiquem atentos a sintomas como aumento do consumo, perda de potência, dificuldade na partida e falhas no funcionamento do motor, procurando uma oficina caso esses sinais apareçam.

     

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